QUANDO O ASSUNTO É ARTE

Jornal Correio Popular – Caderno C – Campinas, segunda-feira, 27/03/06

/ EVENTO /

Unicamp sedia encontro e exposição a partir de hoje

Rodrigo de Moraes

da Agência Anhanguera

Vinte e cinco obras, garimpadas entre os trabalhos do acervo da Galeria de Arte Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e do Sistema de Arquivos (Siarq) da instituição estarão expostas de hoje a 20 de abril no térreo da Biblioteca Central da universidade (Rua Sérgio Buarque de Holanda, s/n°, Campus, fones: 3788-7453 e 3788-6561). É a exposição Acervos Artísticos da Unicamp, evento que integra o 2° Encontro de História da Arte, realizado de hoje a quarta-feira, em comemoração aos 40 anos da universidade.

Galeria expõe obras que integram o acervo da universidade

O encontro em si, que aceita inscrições às 8h, tem abertura marcada para as 8h45 e será realizado sob o tema Teoria e História da Arte: Abordagens Metodológicas, reúne 150 comunicações, 80 palestrantes convidados, várias mesas simultâneas e exposição de 14 painéis.

Entre os assuntos abordados estão desde “os desafios metodológicos da pesquisa em arte do século 21” a “Freud e a História da Arte”, passando por um estudo sobre a relação da pintura A Baiana com a imagem da mulher negra na arte brasileira do século 19. Na programação também está o pré-lançamento da Revista de História da Arte e Arqueologia.

Hoje, a Casa do Lago, localizada no campus universitário, abre, às 12h, exposição com 15 painéis sobre a metodologia da mostra, além de exposição fotográfica que registra visita anual de alunos do IFCH a Ouro Preto (MG) para discutir história, arquitetura e patrimônio.

Vanguarda

         Entre os artistas enfocados na exposição da Galeria de Arte, estão integrantes do Grupo Vanguarda, que reuniu artistas entre 1958-1966 e representou uma lufada de ar fresco para as artes plásticas, até então engessadas pelos preceitos acadêmicos. “Eles propunham uma experimentação muito grande, com a quebra da arte em relação à academia, criando novos vocabulários com uma arte reflexiva”, afirma a curadora da exposição Ana Paula Felicíssimo de Camargo Lima. “E isso aconteceu em Campinas como reflexo da produção concreta do eixo Rio-São Paulo”, acrescenta. Esse rompimento, segundo a curadora, se deu por influência de artistas como o suíço Max Bill, que expôs na 1ª Bienal de São Paulo, em 1951, provocando impacto no então jovem movimento artístico brasileiro.

         O nicho sobre o Grupo Vanguarda na exposição reúne obras de Mário Bueno, Bernardo Caro, Franco Sacchi e Thomaz Perina, em um total de 5 trabalhos.

         Destaque também para a arte de Antonio Roseno de Lima (1926-1998), pintor pobre e autodidata descoberto nos anos 80 em Campinas, onde viveu seus últimos 20 anos em um barraco da favela Três Marias. O artista plástico Geraldo Porto, ex-diretor do Museu de Arte contemporânea de Campinas (Macc), dedicou a Roseno uma dissertação de mestrado em 1993, na qual classifica o artista como representante da art brut. Porto também comprou vários quadros do artista, então disputados a tapa no mercado internacional.

         A exposição pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 9 às 17h.

Inscrições para o congresso, que será realizado em diversos institutos da Unicamp, custam R$ 10,00. A programação completa estará disponível na página da internet http://hosting.iar.unicamp.br/galeria/acervos_artisticos/programa.htm, a partir de hoje.

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