São Paulo, Outono de 1999.
 
Prezado Sr.(a)
Carta de Daisy Grisolia,  Outono de 1999 ...
 
     Finalmente as cartas chegaram.  Cartas de Analice 

     Registros da vida,   guardados da memória, comentários, perplexidade,  
dúvidas,e certezas, gravados em poemas de texturas, forma e cor. Palavras  
prenhas de significado e sensibilidade. Prenhas porque vibram no tempo da  
espera, tempo daquele que virá, o tempo de quem escreve cartas.  

     Ao encontrá-las  uma  parte de mim é só vertigem,  entrega-se  ao  prazer 
dos sentidos sem receios nem pudores, experimenta livre o ridículo de todos os  
amores...   Outra parte,  aquela  que  é  linguagem,  sonda mistérios de  vida  e 
morte, e inquieta pesquisa, pergunta, procura, investiga... Anseia pela próxima  
carta.  

     Ela, com certeza, chegará  ( a certeza de quem escreve cartas é cheia de  
dúvidas ).  E  trará  novas  notícias  do  mundo desta Ana(-)Alice.  Visões 
singulares: por dentro, por fora, avesso, direito, imagem e reflexo de um país 
que contém muito mais que maravilhas.  

     Visite, experimente, arrisque-se... e se puder, escreva uma carta  
contando o que achou. 
 

Atenciosamente,
Daisy Grisolia
 
 


CARTAS DE AMOR
Ana Alice Francisquetti
Galeria de Arte UNICAMP/IA